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Um dia de cada vez...um pouco sobre o luto

Foto do escritor: psicóloga.alessandrafachini
psicóloga.alessandrafachini
4 de fev.
3 min de leitura

Atualizado: 11 de fev.


Mulher


Quando perdemos um ente muito querido é um período muito difícil, doloroso, cansativo muitas vezes. Quando é alguém muito próximo e estava doente, os principais cuidadores já vem com grande exaustão e sofrimento de tudo aquilo que passaram com a pessoa que amavam; as idas e dias no hospital, os sustos, as noites mal dormidas ou então sem dormir, as adaptações familiares que foram necessárias, sentimentos de impotência de ver quem amavam sentindo dor e sofrendo e não conseguir fazer muita coisa para auxiliar, todos esses sentimentos permeiam as nossas existências nesse momento difícil.

Quando perdemos alguém de forma repentina também é dificílimo, fica o choque, o susto, os momentos que gostariam de ter vivido e não deu tempo, aquilo que não foi dito ou o que foi dito "sem pensar", a viagem que gostariam muito de fazer ou a comida que iriam compartilhar juntos, sem contar que a vida exige diversas adaptações, como também na dinâmica familiar, pois muita coisa passa a ser diferente, como tudo isso dói e dói muito.

Além de lidar com a dor, a saudade, a ausência, as lembranças que muitas vezes são dolorosas; ainda é necessário ter muita força para lidar com as questões burocráticas que tem de ser resolvidas, as contas que ainda precisam ser pagas, as crianças cuidadas e alimentadas, as roupas lavadas e a casa também tem de ser limpa, às vezes o cotidiano e as tarefas rotineiras ficam muito difíceis de serem executadas, é necessário muita força e coragem para vivenciar esse período e infelizmente muitas vezes ele é bem solitário, algumas pessoas até tentam apoiar, auxiliar, mas todos tem seus compromissos e afazeres, nem sempre conseguimos ter a rede de apoio que gostaríamos, não é um período nada fácil, como iniciei o texto escrevendo: alguns dias são mais fáceis, outros nem tanto.




Infelizmente ainda há os comentários e falas que em nada auxiliam, apenas afastam, silenciam e causam tristeza, como alguns exemplos: "ele estava doente mesmo, melhor assim do que ficar sofrendo mais alguns meses"; " chega de sofrer, já estou cansada de ver você triste"; "ela estava doente, já sabíamos que ia partir"; "era só um cachorro ou um gato", nem sem sempre essas falas são ditas na maldade, algumas vezes são com a intenção de ajuda, outras já nem tanto, partem mais de indiferença e até mesmo frieza, mas para o enlutado é extremamente difícil porque às vezes falar, compartilhar os sentimentos e sentir-se amparado, acolhido, ouvido, ajuda muito no processo de luto.

Além do luto pelos entes queridos, familiares e amigos, há também outros lutos, como a perda de um animal de estimação que muitas vezes é uma dor invalidada por outras pessoas, já que o animal não era um ser humano; mas a perda, a dor, o vazio se faz presente. A ausência machuca, pois os animais de estimação estão presentes em nossos momentos mais vulneráveis, quantas vezes eles nos amparam em nossos piores dias, momentos mais difíceis, nos fazem companhia na doença, quer conexão maior que essa? Sem contar o quanto dão alegria e são companheiros, muitas vezes é injusto e até cruel querer "impedir" o outro de sofrer pela perda de um animal de estimação, porque a conexão, o companheirismo e amor estavam presentes, são reais.



Como também alguns outros "lutos invisíveis", mas que geram muito sofrimento, como a perda de um emprego que fazia muito sentido, o rompimento de um relacionamento que estava permeado de expectativas e sonhos, algo que você gostaria muito que se concretizasse, mas infelizmente não deu certo, todos esses lutos são reais e merecem respeito, amparo, cuidado, porque causam dor e levam certo tempo para serem cicatrizados. Por isso considero o tempo um aliado nos processos de luto, pois uma morte, uma grande perda mobiliza sentimentos intensos que devem ser cuidados, até que toda essa tempestade passe e dias melhores e mais felizes retornem a aparecer, dias atrás escutei uma frase que achei muito interessante, pois ela dizia: "todas as vezes que choveu, parou", realmente quando estamos embaixo das turbulências e da "água gelada e forte" batendo na nossa pele, a impressão que temos é que ela nunca vai parar, mas ela para, mas é necessário muita força e coragem para atravessar os tempos nebulosos para aproveitar os dias ensolarados e tranquilos.


Alessandra Elizabeth Fachini

Psicóloga

CRP: 06/118445






 
 

Alessandra Fachini
Psicóloga- CRP: 06/118445

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